
Há dois meses mais ou menos tive o prazer de ver o filme "A Vida dos Outros" ("Das Leben der Anderen"). O título não se explica sozinho. Aliás o título nos captura para um fato bastante recorrente em nosso cotidiano big brother, seja ele midiático, seja em nome da segurança. Utopia da segurança vale esclarecer. Não, não se limita a xeretices de alcova. Aliás, tudo deste conteúdo se transforma em pano de fundo para que uma personagem de maior imponência se estabeleça: a Arte. Toda a beleza se desenha na violência política da Stasi. Que contradição ("só a guerra faz nosso amor em paz..."). O agente caxias da polícia da Alemanha Oriental passa a relatar através de aparelhos de escuta a vida "suspeita" de um casal de artistas. Mas não se trata de um agente medíocre. É um homem bom. Um homem de silêncios e de sensibilidade. Um homem de alma. Através dos aparelhos-vigias, os quais gravam o mínimo suspiro de ar ou susurro, uma coisa passa invisível. Passa com uma ansiedade alada ciente de seu ofício e comprometimento. O que não chega a seus ouvidos, todavia se instala com determinação dentro dele é a arte. A música e Brecht, ambos vivenciados pelo casal em observação.
Ah...se toda vida observada trouxesse igual benefício. Se ao menos houvesse mais possibilidades para compor sonatas para homens bons...
Ah...se toda vida observada trouxesse igual benefício. Se ao menos houvesse mais possibilidades para compor sonatas para homens bons...
Um filme que sempre vai ser citado por mim e em mim.
