sábado, 7 de junho de 2008

A Vida e os Outros


Há dois meses mais ou menos tive o prazer de ver o filme "A Vida dos Outros" ("Das Leben der Anderen"). O título não se explica sozinho. Aliás o título nos captura para um fato bastante recorrente em nosso cotidiano big brother, seja ele midiático, seja em nome da segurança. Utopia da segurança vale esclarecer. Não, não se limita a xeretices de alcova. Aliás, tudo deste conteúdo se transforma em pano de fundo para que uma personagem de maior imponência se estabeleça: a Arte. Toda a beleza se desenha na violência política da Stasi. Que contradição ("só a guerra faz nosso amor em paz..."). O agente caxias da polícia da Alemanha Oriental passa a relatar através de aparelhos de escuta a vida "suspeita" de um casal de artistas. Mas não se trata de um agente medíocre. É um homem bom. Um homem de silêncios e de sensibilidade. Um homem de alma. Através dos aparelhos-vigias, os quais gravam o mínimo suspiro de ar ou susurro, uma coisa passa invisível. Passa com uma ansiedade alada ciente de seu ofício e comprometimento. O que não chega a seus ouvidos, todavia se instala com determinação dentro dele é a arte. A música e Brecht, ambos vivenciados pelo casal em observação.
Ah...se toda vida observada trouxesse igual benefício. Se ao menos houvesse mais possibilidades para compor sonatas para homens bons...
Um filme que sempre vai ser citado por mim e em mim.

Lady Lazarus


Inicio minha vida "bloguiana" ("bloguiesca", "bloguiática"...perdoem a indecisão dos adjetivos...dramas de iniciante!) com um título forte. O fato de ser apaixonada por Plath não é suficiente para justificar sua publicação. A paixão faz sentido apenas com a inquietação anímica que vivi através da escrita de Sylvia. Certo dia (in)feliz li:



(trecho)

Peel off the napkin
O my enemy.
Do I terrify?


The nose, the eye pits, the full set of teeth?
The sour breath
Will vanish in a day.


Soon, soon the flesh
The grave cave ate will be
At home on me

And I a smiling woman.
I am only thirty.
And like the cat I have nine times to die.


Nada existe atrás dessas palavras que me revelem, ou que revele quem as leia com devoção. Nada significa em mim, como chave ou senha. A escrita que se desenha no papel do meu livro apenas conta. Conta que é escrita bela. É assim que poderia descrever a obra de Plath (pelo menos o que conheço). Palavras que elogiam palavras. Não se pode contar quantas vidas tem sua poesia. E isso me conforta. Assim como seu texto, isso me enaltece.